Tecnologias da Informação, Mudança Social e o Futuro

future-of-technology1Equacionando a mudança social, na sua relação com as novas tecnologias da informação e da comunicação, Helena Sousa analisa o papel do jornalismo online no trabalho “Tecnologias da Informação, Mudança Social e o Futuro”.

Com o jornalismo digital, a Internet trouxe mudanças profundas e irreversíveis na modelação e transmissão da informação pelos grandes canais, que no nosso país terá tido início em 1995. O envolvimento da Internet nos projetos jornalísticos foi inicialmente motivado pela curiosidade tecnológica, mais do que por estratégias editoriais ou financeiras, vindo, porém, a influenciar decisivamente a sua evolução e atual configuração. No entanto, permanece pouco certa a relação entre as novas tecnologias e a mudança social, pois grandes teorias como as da globalização e da era da informação não contemplam dinâmicas sociais específicas, falhando em apresentar chaves que expliquem contextos sociológicos díspares.

Helena Sousa defende que a inovação tecnológica tornou, sim, possível o jornalismo online, embora a tecnologia em si não possa ser apresentada como variável explicativa relevante para as mudanças sociais. A Internet ter-se-á tornado um novo suporte técnico para o jornalismo, criando novas oportunidades de projetos, novos formatos e práticas. Mas, se as mudanças tecnológicas acontecem rapidamente, o mesmo não se pode dizer dos comportamentos sociais.

Muitos autores acreditam que os desenvolvimentos tecnológicos implicarão um novo paradigma comunicacional, fundamentando-se sobretudo nas novas possibilidades interativas da Internet. O crescimento viral de canais de autoexpressão como os blogues traz como consequência uma alteração do paradigma unidirecional que caracterizou o jornalismo antes da chegada da Internet.

É um facto que a comunicação multidirecional tem tudo para proliferar e que a chamada “blogosfera nacional” tem registado um crescimento significativo, alargando o debate público.

Tudo indica que os jornalistas perderam o monopólio do relato noticioso. No entanto, “a expansão do acesso à informação e a propagação do debate público nos fóruns da Internet parece ser uma base insuficiente para uma mudança paradigmática”, sustenta Helena Sousa. Para que o potencial participativo da Internet alcance toda a sua extensão, a longo prazo, será necessário que os cidadãos, e não só uma elite intelectual, reconheçam o valor da sua participação.