O Computador Magalhães: Sucesso ou Fracasso?

Foi com grande pompa e circunstância que, em 2008, se anunciou o protocolo entre o Governo português e a Intel, para a criação de um computador portátil de baixo custo, que seria integrado nos programas e-Escolas e e-Escolinhas, tendo como objetivo facilitar o acesso das crianças às novas tecnologias.

Magalhães portable computersPensava-se que seria relativamente simples e bem acolhida a ideia de integrar a utilização dos computadores portáteis Magalhães no processo de ensino das salas de aula das escolas portuguesas. Contudo, um estudo realizado pela Universidade Portucalense veio a revelar que logo desde início o computador era utilizado apenas de forma esporádica e, mesmo assim, muitas vezes fora do âmbito da aula. O projeto Magalhães havia sido um fracasso completo, face à expetativa inicial.

Pretendia-se que este equipamento se tornasse uma peça central no processo de ensino dentro das salas, mas o que aconteceu foi que se converteu apenas numa ferramenta-extra de apoio. Professores, alunos e encarregados de educação abordados pelos responsáveis do estudo foram unânimes ao considerar que o computador raramente era um elemento central nas atividades de aula. Para piorar a situação, a polémica aumentou quando se constatou que o “software” do Magalhães estava repleto de erros de português, a nível de ortografia, sintaxe e gramática.

Embora a ideia inicial fosse proporcionar o acesso às últimas tecnologias, de forma democrática, a todas as crianças das escolas portuguesas, o sucesso previsto não se materializou. Ainda foram exportados alguns computadores para a Venezuela e para a Bolívia, mas, no final, o buraco finan
ceiro ascendeu a vários milhões de Euros.

Hoje em dia, a realidade é outra e, com o acesso fácil a “tablets” e computadores portáteis, a preços acessíveis, as crianças começam a ter contacto com as tecnologias de informação muito cedo, mesmo dentro das salas de aula. Cada vez mais, as escolas portuguesas recorrem agora a estes meios de forma integrada na implementação dos processos educativos.