Determinantes sobre a Adoção das Tecnologias da Informação em Portugal

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ITstockphot copy croppedNum trabalho publicado por Tiago Oliveira e Maria F. O. Martins (ISEGI-NOVA), em julho de 2014, reporta-se a ausência de estudos empíricos sobre decisões de adoção das tecnologias da informação em Portugal, lacuna que os autores pretendem suprir com a análise dos determinantes de páginas web e de decisões de implementação de e-commerce, num contexto de organizações com orientação tecnológica.

Com base na análise de 2626 organizações representativas dos setores económicos privados em Portugal, com exceção do setor financeiro, Tiago Oliveira e Maria Martins apresentam as seguintes conclusões:

  • Os resultados empíricos, obtidos a partir de testes estatísticos, permitem verificar que as decisões de adoção acontecem em duas fases distintas;
  • Os facilitadores e inibidores relevantes de decisões de adoção de web site e e-commerce são semelhantes aos encontrados em outros estudos;
  • Os resultados sugerem que fatores organizacionais, como benefícios esperados e acesso ao sistema de TI das empresas, contribuem para o processo de decisão de adoção. Da mesma forma, a pressão competitiva influencia decisivamente ambas as decisões, o que prova ser este um importante motivador da inovação-difusão em ambas as fases de adoção;
  • Outras variáveis têm uma influência condicionada: a preparação tecnológica, a dimensão da empresa, os programas de formação em TI, as normas de internet e e-mail como fatores organizacionais têm influência na decisão de adoção de um site, mas não na adoção de e-commerce. Por outro lado, a integração tecnológica tem um impacto significativo na decisão de adoção de e-commerce, mas não no modelo adotado para o web site.

As implicações políticas decorrentes dos resultados obtidos sugerem que é extremamente importante melhorar competências em TI desde o nível mais básico ao superior, o que pode ser alcançado pela diminuição de custos de formação e pela promoção de uma relação mais próxima entre empresas, associações e instituições de ensino. Com a diminuição dos custos das infraestruturas tecnológicas, a falta de profissionais qualificados em TI será um dos maiores constrangimentos para uma melhor preparação das empresas portuguesas, a nível tecnológico.